Author Archives: Scheilla Gumes

II Encontro de Cheganças da Bahia

Os grupos de Chegança de Saubara já estão preparando o II Encontro de Cheganças da Bahia. Previsto para os primeiros dias de agosto de 2014, às vésperas do dia 4, quando é comemorado São Domingos de Gusmão, o Padroeiro da cidade, será marcado pelo lançamento dos produtos do projeto Registrando as Marujadas de Saubara, patrocinado pela Petrobras.

O Encontro é uma oportunidade para que os grupos baianos se conheçam, percebam semelhanças e diferenças e, o mais importante, discutam formas de continuidade dos trabalhos diante dos desafios atuais.

A Associação dos Marujos Fragata Brasileira é a realizadora desse processo de documentação que funcionou como grande impulso para os grupos locais. A Chegança nunca parou e está em franco crescimento.

O projeto prevê a elaboração de um vídeo documentário, um catálogo e um cd com as músicas que narram a encenação.

O sucesso do I Encontro é o principal motivador dessa empreitada.

Fragata é Ponto de Cultura

A Associação Fragata Brasileira está se organizando para Participar da TEIA Bahia 2014 – II Encontro da Rede de Pontos de Cultura da Bahia, pois acaba de ser contemplada no último edital de Pontos de Cultura. A Teia acontece entre 08 e 10 de maio de 2014, em Salvador.

A Teia é considerada pela Associação um importante momento político, já que na sua programação está o Fórum de Pontos de Cultura e também uma oportunidade de aprendizagens, através das diversas oficinas. Serão oficinas de cultura digital e linguagens artísticas, além de rodas de conversa sobre temáticas diversas.

Outro momento bastante esperado é a Feira Criativa Pontos de Cultura. A Feira Criativa é aberta a toda a comunidade. Acontecerá durante os dias 09 e 10 de maio das 9 às 21h, no Cruzeiro de São Francisco/Pelourinho. Serão disponibilizados 27 stands, um por Território de Identidade, para que os Pontos de Cultura apresentem, e comercializem se desejarem, seus produtos. O objetivo da Feira é dar visibilidade à produção cultural dos Pontos de Cultura.

Para o Secretário de cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, essa Teia é preparatória para o Encontro Nacional. “O Programa Cultura Viva está presente em todo o país, já são mais de cinco mil Pontos de Cultura no Brasil. Este é um importante programa para a política cultural brasileira, reconhecido e copiado por outros países. As Teias estaduais e a nacional representam um espaço privilegiado de reflexão, discussão e amadurecimento deste programa. A Bahia fará o seu papel e levará contribuições relevantes para a Teia Nacional”, afirma o secretário.

Já a diretora de Cidadania Cultural da SecultBA, Gleise Oliveira, o tema da TEIA, “Encantos e Encontros”, reflete o que é esperado para os três dias de programação. “É, de fato, um importante momento para Encantos e Encontros. Será um espaço privilegiado de trocas, de contatos, para estabelecer vínculos e fortalecer esta rede de entidades culturais da sociedade civil que desenvolvem um importante trabalho de promoção do acesso, formação, preservação e memória da diversidade cultural baiana”, afirma.

I Encontro de Cheganças da Bahia exibe filme na praça

docmarujadas_baixaA noite de 2 de agosto, no I Encontro de Cheganças da Bahia foi preenchida pelas luzes da exibição do doc Marujadas, da série Bahia Singular e Plural, da TVE. O documentário, produzido em 2000, é dirigido por Josias Pires, que acompanhou a exibição e conta, rapidamente sobre seu convívio com as Marujadas.

Marujadas de Saubara: Como foi seu primeiro contato com as Marujadas?
Josias Pires: Conheci as Marujadas na década de 80. Eu trabalhava em Camaçari, que era área de segurança nacional, na época da ditadura. Depois, quando teve a primeira eleição, Capinan foi secretario de Cultura e nós fizemos um levantamento das manifestações. Nessa época a Marujada de lá estava desarticulada. O trabalho foi retomado, passamos a frequentar os ensaios lá em Camaçari. E eu comecei a estudar a cultura popular na biblioteca de Capinan. Eu li Sílvio Romero, Mário de Andrade… Organizamos o livrinho cultura popular em cada lugar sobre a Marujada. A estrutura do espetáculo, o texto.

Marujadas: Onde foi filmado o documentário?
JP: Filmamos em Paratinga, Saubara, Prado e Jacobina. Eram as referências que a gente tinha de Marujadas. Na época, a obra de Nelson de Araújo já dava algumas pistas de onde estavam as Marujadas na Bahia. Nós fomos seguindo essas pistas.

Marujadas: O que aproxima e distingue as representações de Marujadas nesses lugares?
JP: A série tem três documentários relacionados às Marujadas. São encontrados alguns tipos de representação. A Chegança de Marujos e Cheganças de Mouros. O que distingue esses dois tipos é que na de Mouros aparecem mais personagens, além dos Marujos, cantando. Os personagens representam a oficialidade da Marinha. Essas distinções, inclusive já aparecem na obra de Mário de Andrade. A outra representação é o Corte de Cristãos e Mouros ou Luta de Cristãos e Mouros. Nessa modalidade faz-se o enfrentamento verbal com as espadas, fazendo uma representação da guerra. A música é, em geral, instrumental com gaitas e tambores. Esse, das Marujadas, é uma colagem dos vários grupos.

Marujadas: Como você percebe essa movimentação para o reconhecimento e registro das Marujadas como patrimônio do Estado?
JP: Patrimônio já é. O reconhecimento pode ajudá-los a se organizar melhor sem dever favores a ninguém. Em Jacobina, a Marujada foi incluída como Patrimônio na Lei Orgânica do Município. A prefeitura torna-se obrigada a manter o grupo funcionando. A manutenção passa a ser uma obrigação. Nesses processos de registro, é preciso seguir cuidando. Dedicar atenção às consequências que tem para os grupos. Pensar a política de cultura e valorização de mestres, articulada com as demais políticas de educação, saúde, habitação.

Marujada para Patrimônio Imaterial

O I Encontro de Cheganças da Bahia começou hoje, dia 2 de agosto, dizendo, e muito, a que veio. Os mestres e mestras dos sete grupos de Chegança ou Marujadas reunidos na sede do grupo Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, em Saubara, embalaram a tarde com uma roda de conversa descontraída.

Mas o papo foi sério. E eles, reunidos assinaram juntos o ofício para encaminhar ao IPAC, solicitando a abertura do processo de avaliação dos grupos de Chegança e Marujada para seu possível reconhecimento como Patrimônio Cultural da Bahia, inscrito no Livro do Registro Especial das expressões Lúdicas e Artísticas.

Rosildo do Rosário, coordenador do grupo Fragata Brasileira, hoje com 36 anos, saiu na Fragata pela primeira vez aos 3 anos. Conheceu outros grupos de Marujada quando participou do vídeo documentário Marujadas, de Josias Pires, realizado pelo Governo do Estado da Bahia.

Os intercâmbios de saberes somados à sua experiência com o processo de reconhecimento do Samba de Roda como patrimônio imaterial o levou a buscar os meios de organizar esse mesmo processo com as Cheganças da Bahia.

Os mestres e mestras pela primeira vez reunidos narraram seus percursos e contaram com o apoio de pesquisadores que há muito tempo acompanham suas caminhadas, como é o caso de Josias Pires (autor do documentário Marujadas) e Ralph Wader (que está organizando o seu acervo próprio sobre manifestações populares do Recôncavo Baiano).

Para Wader, qualquer manifestação desse tipo é uma declaração de quem somos e reconhece no movimento inaugurado hoje uma importante afirmação  disso.

“Conheci Rosildo como Calafatinho e a manutenção do seu nexo com a Marujada demonstra que isso é uma construção que vem de dentro de casa”.

Dona Joselita, tia de Rosildo, lembra que foi muito difícil enfrentar os preconceitos quando decidiu se dedicar à Marujada. “Fui muito criticada aqui em Saubara e fui muito ajudada por Ralph, Fred Souza Castro, Cid Teixeira e outros que me ajudaram a levar a Marujada para Salvador. Hoje Rosildo está na luta para levar esse trabalho adiante. Os jovens já não se interessam por essa movimentação, então esses coroas precisam aguentar por mais tempo para que isso não morra”.

Juntos assinaram a ata da reunião e o ofício para encaminhar aos órgãos responsáveis:

José Alves de Jesus, conhecido como Djalma, Chegança de Mouros Barca Nova de Saubara, Elisabete de Souza, 70 anos, Chegança de Mouros Feminina de Arembepe, José Carlos Silva de Paula da Chegança Marujada de Jacobina, Antonio Borges Nascimento, Chegança Marujada de Cairu, Luis Fernando dos Santos e Roque Antonio da Silva,  Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, Aurelita Rocha de Jesus e Tania Regina da Silva Santos, Chegança Feminina de Mouros Barca Nova.

O Encontro de Cheganças é uma realização da Associação de Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, com financiamento do  Governo da Bahia/Fundo de Cultura/Edital Demanda Espontânea e apoio de Petrobras, Casa do Samba Sambadeira Frazinha, Prefeituras Municipais de Saubara, Jacobina, Camaçari, Cairu, Colônia de Pescadores Z-16, IPHAN, Fundação Cultural, ASSEBA, Centro de Culturas Populares e Identitárias.

Convite

PrintA Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira e seus parceiros têm a honra de apresentar o seu novo site e de convidar V. Sa. para participar do I Encontro de Chegança da Bahia.

O grupo Fragata Brasileira de Saubara reúne, de forma inédita, alguns dos grupos baianos, para celebrar, com um belíssimo espetáculo pelas ruas da cidade, essa expressão que é uma importante marca da história e identidade dessas comunidades.

É também durante o Encontro que os grupos construirão os documentos para solicitar ao Estado o Reconhecimento das Cheganças e Marujadas como Patrimônio Cultural da Bahia.