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1º Encontro de Marujadas de Jacobina

É com grande prazer que as Marujadas de Saubara (Fragata Brasileira e Barca Nova Feminina) embarcam para mais uma conquista em alto mar.

“Vamos remando, vamos remando que é para vencer…!”

A Marujada de Jacobina receberá no dia 16 de maio, 05 Grupos de Cheganças/Marujadas para o 1º Encontro de Marujadas de Jacobina-BA. Essas iniciativas servem para mostrar a força e organização da Rede de Cheganças da Bahia que visa a valorização dos saberes dos mestres cheganceiros, buscando estimular as comunidades envolvidas na defesa dos bens culturais constituídos das tradições históricas, costumes, criações artísticas e literárias.

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Volta ao Brasil

De volta ao Brasil após um belíssimo intercâmbio realizado em Lisboa-Portugal, as Marujadas de Saubara puderam realizar o caminho de retorno às origens que permitiu a aprofundamento  e conhecimento sobre a cultura do país que originou este imaginário popular das histórias dos marujos no mar.

Como forma de agradecimento e em contrapartida ao Ministério da Cultura, as Marujadas de Saubara realizarão atividades gratuitas (oficina, palestras e performances) para as comunidades dos municípios de Saubara e de Jacobina, nos dias 14 e 16 de maio de 2016.

SAUBARA – 14 de maio, SÁBADO
DIA/HORA ATIVIDADE LOCAL PÚBLICO
14 de maio, 16h Oficina de canto e dança Na sede da Chegança Rua Boca da Mata Saubara –Bahia

 

Comunidade e Chegança Mirim

 

14 de maio, 19h Palestra I – troca de experiência do intercâmbio Aberto para comunidade e os membros dos grupos

 

   
JACOBINA – 16 de maio, SEGUNDA-FEIRA
16 de maio, 9 horas Apresentação pública 

 

Na Igreja Matriz de Jacobina

 

Aberto a todos os interessados
16 de maio, 11h Desfile pelas ruas
16 de maio, 14h Palestra II – troca de experiência do intercâmbio No Centro Cultural de Jacobina

 

Aberto para comunidade e os membros dos grupos

 

 

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Conexões de mar: Marujadas de Saubara visitam Portugal

Com realização do Ministério da Cultura, representado pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura – SEFIC, através do Edital de Intercâmbio 01/2015, realiza-se o projeto “Conexões de mar: Marujadas de Saubara Visitam Portugal”, com a ida de um grupo de cheganceiros baianos até Portugal, a convite da ACE – Associação Cultural Etnia (Lisboa/Portugal) para difundir a experiência das Cheganças de Saubara/Bahia.

A visita acontece entre os dias 22 e 30 de abril de 2016. A programação, gratuita, acontece no Centro InterCulturaCidade (Travessa do Convento de Jesus, 16-A, Lisboa, Portugal) e prevê exibição do documentário “Êta Marujada!” (Petrobras – 2013), debate com a equipe e a entidade organizadora do evento e convidados; atividades de divulgação das Marujadas junto ao público da entidade a cargo de sua produção; oficina dos cantos e toques das Marujadas; exposição fotográfica do III Encontro de Cheganças do Estado da Bahia (agosto/2015), performance demonstrativa das Marujadas de Saubara.

A programação detalhada será divulgada AQUI>

A realização desta proposta de intercâmbio é importante para contribuir para a preservação dos bens imateriais baianos, a partir de sua divulgação internacional e difusão da cultura afro-brasileira, dos saberes ancestrais, da oralidade e na necessidade de formação de redes de cultura  entre os países lusófonos que buscam a salvaguarda, o registro e a preservação dos bens imateriais brasileiros e humanos.

O intercâmbio proposto para as Marujadas de Saubara irem até Lisboa/Portugal encontra sua justificativa na própria base da criação desta expressão popular. Muitos cantos das Cheganças da Bahia retratam os marujos portugueses e tem seu fundamento no imaginário criado a partir das grandes navegações.

É um caminho de retorno às origens que permitirá tanto aos membros das Marujadas se aprofundarem e conhecerem a cultura do país que originou este imaginário popular das histórias dos marujos no mar, quanto para o público específico português, que poderá conhecer o resultado, depois de séculos, deste período histórico em que a cultura da Diáspora Africana se encontrou com a cultura marítima portuguesa.

A  Associação Cultural Etnia, justifica a importância do intercâmbio dizendo que este “assume uma relevância acrescida em 2016, ano em que se comemora o 20º aniversário da fundação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, e poderá contribuir de forma significativa para a (re)descoberta dos profundos laços históricos e culturais que unem os países do universo da Língua Portuguesa no mundo contemporâneo”.

Cartaz Marujada

Uma nota com tom de saudade!

Quem convive com esses marujos sabe que a bandeira da Chegança dos Marujos Fragata Brasileira é utilizada nas apresentações ou quando um dos seus participantes se vai. Hoje, 24 de março de 2016, a Fragata Brasileira ergue a bandeira para a despedida de sua madrinha, Joselita Moreira do Rosário. Dona Jelita. Zelita.

Nesse momento, quando nos faltam palavras, escolhemos revisitar as palavras dela. Separamos aqui para essa pequena homenagem, o perfil publicado no livro Êta, Marujada! Apenas um trecho, pequeno diante do tamanho da sua ligação com a Fragata Brasileira.

zelita com a marujada

êta, marujada!

Joselita Moreira da Cruz Silva – Dona Zelita

“Os momentos mais importantes da vida de Dona Zelita se confundem com os da Marujada. Ainda jovem, vivia em Salvador e trabalhava em casas de família. Em uma das visitas a Saubara, para ver a sua própria família, assistiu a saída da Chegança na Festa do Padroeiro.

Decidiu que ia levar “a brincadeira” para Salvador. E assim Zelita o fez, mesmo contra a vontade da mãe. Tinha amigos influentes como Gilberto Sena e Nelson Araújo que puderam ajudar. Se houvesse na época a função de produtora cultural, empresária ou promoter cultural, um desses, provavelmente seria o “cargo” dessa mulher visionária.

Não foi fácil. Ela, mulher, negra e analfabeta, sofreu todo tipo de preconceito. Preconceito que veio dos que supostamente, eram os seus e poderiam estar lado a lado com ela.  “Eu fui muito criticada. Diziam que com tanto homem na Saubara, nenhum tinha tirado a marujada daqui. Aí eu disse, está bem! E continuei fazendo o que eu achava que devia fazer. Aí, Eurico, disse, você pode levar a Chegança lá de cima, a de cá de baixo, não. Aí, arrumei tudo e fomos. A primeira vez, levei no Pelourinho, a segunda vez no Campo Grande, a terceira vez também e a 4ª vez levei na marinha, no dia 13 de dezembro”.

O grupo não cobrava cachê, mas, quando havia possibilidade, pedia em troca itens necessários à própria manifestação. “Fiz passeio para comprar calçado, fiz passeio para comprar roupa, fiz passeio, comprou aquele terreno”.

Zelita conta que os Marujos não queriam ir para Salvador, com medo da Marinha. “Aí, eu acertei com Cid Teixeira, que foi na marinha comigo, para pegar o papel, porque sem o papel, eles não viriam, ai ele bateu o papel, eu não me lembro do nome do almirante”.

As primeiras articulações devem ter acontecido no começo da década de 80, como mostram os recortes de jornal na época [ver álbum de recordações ao final da publicação], que inclusive traziam a previsão de que aquele grupo “não duraria mais 20 anos”.

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Ortingue de Maria olé olé lé
Ortingue de Maria olé
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É remar contra maré olé lé lé (2x)
É remar contra maré

A brincadeira, com os olhos de hoje, soa inaceitável. Mas quando as mulheres da Chegança cantam essa música, parece que vem com um respiro especial. O pulmão fica mais cheio de ar. E a sensação que dá ao vê-las, de todas as idades é a de que elas dão um “olé” nisso tudo. Elas estão puxando a amarra de marcha a ré… olé, olé…

Essa inspiração está personificada na figura de Dona Zelita que, recentemente, foi reconhecida pelo grupo como madrinha da Fragata Brasileira. Foi uma conquista dela. E como boa madrinha, não poupa conselhos: “O poder público contribui muito pouco. Agora está sendo formada Chegança mirim e outra Chegança feminina. Tomara que a chegança mirim vá em frente, porque é outra forma deles terem amor, e já tem alguns meninos na chegança de adultos. E eu espero que não acabe, porque eu adoro essa brincadeira, você não sabe como eu sou apaixonada. Eu queria que os jovens se interessassem, para aprenderem, para não acabar, porque Rosildo está nessa chegança desde os três anos de idade e hoje ele luta tanto para essa marujada, porque é apaixonado por ela também”.

 

Mulheres do Samba de Roda se revelam

A Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia (ASSEBA), a Rede do Samba de Roda do Recôncavo Baiano e a Chegança dos Marujos Fragata Brasileira apresentam o documentário Mulheres do Samba de Roda. A primeira exibição será realizada no dia 5 de dezembro (sábado), às 9h30, na sede do Centro de Referência do Samba de Roda (Santo Amaro).

> Acompanhe também a nossa página -> facebook.com/MulheresdoSambadeRoda

Rosildo Rosário, que coordenou a realização do documentário, comenta seus aprendizados: “Esse projeto é revelador de ideias que aparentemente estavam escondidas. Entendemos como um trabalho completo e que merece todo reconhecimento e valorização. Além da grata satisfação de trabalhar diretamente com essas mulheres do samba, temos o registro da mulher negra”.

No documentário, 16 mestras sambadeiras mostram seus trajetos e trejeitos, histórias e memórias. Na mesma ocasião, acontece a abertura da exposição fotográfica Mulheres no Samba de Roda: histórias e conquistas. Serão lançados também um CD e o livro com minibiografias dessas 16 mulheres. Ouça aqui >

 

Dalva, D. Nicinha e Rita da Barquinha estão entre as homenageadas. Todas elas imprimiram sua marca na estética e na política da cultura popular do recôncavo, por meio de manifestações culturais como os ternos de reis, terno do acarajé, cheganças, maculelê, capoeira, ranchos, candomblé entre outras.

A coordenadora executiva do projeto, Luciana Barreto, conta que, entre as intenções, “buscou-se construir um acervo das vozes dessas velhas sambadeiras das comunidades negras. São vozes que tendem a sumir”. As 17 faixas são versões femininas de clássicos do samba do recôncavo, como Alô Meu Santo Amaro e outros sambas inéditos que elas escolheram mostrar ao público pela primeira vez.

Protagonismo: as obras, em seu conjunto, buscam demonstrar a ampla inserção social das sambadeiras. Mulheres que, precocemente, assumiram as obrigações da casa para ajudar seus pais. São marisqueiras, agricultoras, comerciantes, empregadas domésticas. Estão retratados os seus saberes e protagonismo no enfrentamento de toda forma de violência contra a mulher e a conquista do direito de se expressar, de ter renda própria, saúde, educação. São biografias que constituem um importante acervo para as novas gerações.

Para os coordenadores do projeto Mulheres do Samba de Roda, os resultados são surpreendentes e, mais do que nunca, necessários. “As mulheres sambadeiras têm um entendimento amplo da vida, não se prendem meramente ao sambar. Elas nos surpreendem com seus depoimentos sobre os mais diversos temas em pauta na sociedade”, diz Luciana.

A pesquisa, realizada pela professora e etnomusicóloga Katharina Dohring, contribui para a valorização da mulher em todo o contexto social. Incentiva o aprendizado de práticas e saberes populares de matriz africana, além de sua permanência e transformação no seio da comunidade afrodescendente de sambadores e sambadeiras.

Foram selecionadas 16 mestras de 15 localidades baianas (Acupe, Bom Jesus dos Pobres, Cachoeira, Camaçari, Ilha de Vera Cruz, Feira de Santana, Irará, Maragojipe, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Saubara, Simões Filho, Teodoro Sampaio, Conceição do Almeida e Cruz das Almas). Assim, os territórios de identidade – Recôncavo, Região Metropolitana e Portal do Sertão –, mostram alguns dos seus tesouros.

Este projeto faz parte do conjunto de atividades que festejam os 10 anos de conquista do título conferido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) ao samba de roda, que lhe deu a condição de “Obra-Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade”. É realizado com patrocínio do Governo do Estado e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPAC, através do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia”, por meio do Edital 16/2013 – Patrimônio Cultural, Arquitetura e Urbanismo.

Os exemplares serão distribuídos gratuitamente para as mulheres retratadas e seus grupos de samba, parceiros realizadores, Universidades, instituições culturais. Os demais interessados podem solicitar pelo e-mail: mulheresdosambaderoda@gmail.com

Contatos para entrevistas:

Luciana Barreto (Coordenadora do Projeto – 075 99147 8507 / 75 98178 1891)
Assessoria de imprensa: Scheilla Gumes (DRT-BA 2204) – 71 98786 3828

Serviço:

O quê: Lançamento coletânea Mulheres do Samba de Roda (Documentário, CD e livro)
Dia: 5 de dezembro
Hora: 9h30
Local: Centro de Referência do Samba de Roda (R. do Imperador, 1, Santo Amaro)
Preço: Distribuição Gratuita para Universidades, instituições culturais e demais interessados

Portfólio Institucional

Confira o rápido portfólio das últimas realizações da Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira.

Constituída através de reuniões com os associados, pescadores, marisqueiras e moradores da comunidade foi fundada com o objetivo de realizar atividades destinadas ao fortalecimento da Cultura Popular e reconhecimento dos mestres da cultura popular em especial aos mestres das Marujadas na transmissão de saberes para as crianças e adolescentes.

Foi fundada em 06 de maio de 1979, como indica sua primeira ata. O registro como pessoa jurídica só aconteceu em 13 de junho de 2008.

A Associação organizou um rápido portfólio (Portfólio Fragata Brasileira 2015) para apresentar suas principais realizações, na direção dos seus propósitos:

Realizar atividades destinadas ao fortalecimento da Cultura Popular e reconhecimento dos mestres da cultura popular em especial aos mestres das Marujadas na transmissão de saberes para as crianças e adolescentes;

Atuar na proteção dos direitos de uso de imagem, autoria e proteção do Patrimônio Imaterial;

Efetivar programas educacionais voltados para o reconhecimento das Cheganças/Marujadas como legado civilizatório afro-brasileiro, dirigindo-se prioritariamente a crianças, adolescentes e jovens, contribuindo para o fortalecimento da autoestima, valorização da diversidade cultural e o exercício da cidadania;

Defender as manifestações culturais e religiosas da matriz africana e seu patrimônio histórico e artístico, inclusive, judicialmente, além de promover a igualdade racial mediante propositura de ações coletivas destinadas à proteção dos direitos individuais, difusos e coletivos, da população negra e de quaisquer outros segmentos vitimados por discriminação injusta, ou por qualquer outro meio;

Combater a intolerância religiosa e defender as práticas culturais e religiosas de matriz africana que contribuem para a conservação e preservação do meio ambiente;

Fortalecer as práticas da cultura popular na transmissão dos saberes dos mestres para as crianças e adolescentes da comunidade.

Acesse documento completo: Portfólio Fragata Brasileira 2015